Sábado, Outubro 27, 2007


,font face= TIMES NEW ROMAN size 3>UMA HISTÓRIA COM O RENATO RUSSO
por Gian Fabra

Nem todos que gostam da Legião Urbana sabem, mas eu toquei baixo nos shows da turnê do CD “Descobrimento do Brasil”. Porém, alguns fãs mais interessados na história da banda me (re)conhecem e muitos deles, quando me encontram, logo perguntam: Como era o Renato Russo? Bem, confesso que às vezes acho isso é um pouco chato. Não que eu não entenda a curiosidade deles, mas por ser muito difícil responder a essa pergunta. Invariavelmente acabo decepcionando as pessoas com minhas respostas. É praticamente impossível falar sobre uma pessoa para alguém que quer ouvir a descrição de um mito. O Renato pra mim está bem distante do mito que a persona pública dele se tornou. Ele era um cara legal, divertido, mas também exigente com o trabalho. Às vezes tinha um jeito suburbano simples, às vezes era complexo. Uma enciclopédia ambulante quando o assunto era música ou cinema, suas paixões. Mas era uma pessoa, com seus defeitos e qualidades, que tinha suas inseguranças afetivas e medos
como qualquer um de nós. Um cara com quem aprendi muito e com quem tive o privilégio e a honra de conviver. O Fred Nascimento, que tocava violão com a Legião e é meu companheiro na banda Tantra, certa vez o definiu muito bem com palavras mais ou menos assim. O Renato era um cara tão obsessivo com seu trabalho e sua busca pela perfeição que qualquer coisa que ele fizesse seria especial. Tipo, se ele fosse dono de uma padaria pode ter certeza que seria a melhor padaria da cidade. Era bem isso. É claro que meu convívio com ele me rendeu algumas histórias, mas como não pretendo escrever nenhum livro sobre o assunto – nem tenho tantas histórias assim – resolvi contar uma que acho interessante e mostra um pouco do gênio criativo do cara.

Num dos shows da turnê do Descobrimento, não lembro em qual cidade… às vezes tenho a impressão que foi em Belo Horizonte outras vezes acho que foi em São Paulo, de qualquer forma, naquele dia o Renato ligou para o meu quarto do hotel e me convidando para ir almoçar com ele num restaurante ali perto. Eu fiquei meio na dúvida se aceitava porque queria tomar umas cervejas e a produção tinha nos recomendado que não ingeríssemos bebidas alcoólica perto dele, devido ao seu tratamento de dependência química. Como fui ficando sem desculpas – ele sabia ser bem persuasivo – acabei dizendo o real motivo e ele disse que eu podia relaxar e tomar minhas cervejinhas em paz. Fiz ele me prometer que não ia contar para produção e lá fomos nós.

A comida estava boa, o dia estava agradável, um grande show nos esperava e ele estava muito engraçado. Estávamos conversando sobre roteiristas de cinema quando ele me confessou que tinha escrito um roteiro baseado na letra de Faroeste Caboclo. Fiquei louco com aquilo e ele começou a descrever várias passagens. Supliquei que ele me deixasse fazer o papel de Santo Cristo no filme (com certeza foi o efeito das cervejas), mas ele foi enfático: Claro que não! Ficou doido!!! O João vai ser o Marcos Palmeira que é um gato. Ficamos rindo e deliberando sobre o casting do filme, infelizmente não lembro bem quem a gente escalou ali. Talvez o Chico Diaz para o papel de Jeremias e a Claudia Abreu para o de Maria Lúcia, sei lá… Mas lembro da descrição da cena final do filme. Minha memória pode me trair nos detalhes, mas era algo assim, e era brilhante.

A cena mostrava a sala de um apartamento de classe média na zona sul do Rio de Janeiro onde se via uma criança brincando no chão. Ao seu lado, uma babá que acompanhava distraída as imagens da passeata dos ‘caras pintadas’ que passavam ao vivo na televisão. Começava então um travelling da câmera. Ela fechava numa foto da cara do João de Santo Cristo num porta-retratos, depois começava a abrir, e se via outros porta-retratos com fotos de Jeremias, Maria Lúcia e tal, dando a entender que aquele era o apartamento onde morava o filho de Jeremias com Maria Lúcia. A câmera ia abrindo até mostrar toda estante, depois a estante com a televisão, depois a sala com a criança e a babá. E continuava abrindo o quadro até sair pela janela, nesse momento a criança ia até a janela e a câmera continuava se afastando, a criança ia ficando cada vez menor e o quadro revelando outras janelas, depois o prédio inteiro, depois vários prédios e você já não conseguia mais distinguir a criança no meio
de tantos prédios. A câmera ia se afastando até mostrar um bom pedaço da cidade visto do alto. Então a câmera girava fazendo uma panorâmica e começava a fechar em outro local, ia aproximando a visão de outro bairro, outras ruas, até mostrar a rua onde ocorria a manifestação dos ‘caras pintadas’. E continuava fechando, mostrando vários adolescente gritando palavras de ordem, até chegar num ‘cara pintada’ em especial e continuava fechando até chegar na camiseta dele onde estava estampada uma foto da cara de João de Santo Cristo, a mesma foto que começara o travelling no porta-retrato do apartamento. Fim e os créditos começavam a subir.

Não tenho certeza se ele realmente escreveu essa cena, ou apenas estávamos viajando naquele dia e ele inventou isso. Sei que, alguns anos depois, tive contato com um pessoal de cinema que me confirmou a existência de um roteiro sobre Faroeste Caboclo escrito pelo Renato. Também me revelaram que o mesmo fora recusado por diversos produtores sob a alegação de que sua filmagem era inviável (???), disseram que foram encomendados e escritos outros roteiros na tentativa de viabilizar o filme, mas o projeto não foi adiante. Desconheço as razões. Recentemente li que o filme pode sair, e que já neste ano de 2007 entraria em fase de produção com um roteiro do Bolognesi, o cara que escreveu Bicho de 7 cabeças mas, parece que devido a desavenças entre a produtora, a editora (Tapajós) e a família do Renato, a música em questão não poderá fazer parte do filme. Se for verdade mesmo é uma pena né?

Voltando ao meu mundinho, eu escolhi contar essa passagem em especial porque, certa vez, tive um insight com ela. Eu estava trabalhando, fazendo a produção num show do Biquini Cavadão. Tudo estava tranqüilo e comecei a observar o público se divertindo e tal. Notei que algumas pessoas vestiam camisetas com estampas da Legião e do Renato Russo. Fiquei olhando para uma em especial, um rapaz na primeira fila que trazia uma foto enorme do Renato que ocupava toda parte da frente camiseta. Estava absorto pensando na força que eles alcançaram, que é impossível ir num show de rock em qualquer lugar do Brasil, mesmo hoje em dia, sem ver pelo menos um adolescente com uma camiseta da Legião ou do Renato. Foi quando tive o insight e junto me veio a lembrança da cena final que ele me contara. Meu Deus! Eu pensei. Será que era isso que ele queria? Virar uma imagem na camisa dos adolescentes? Era sim! Era sim! Cara! Ele conseguiu! E naquele momento exorcizei toda tristeza que ainda existia
em mim pela perda do antigo companheiro. A tristeza das coisas que não foram feitas: letras, músicas, shows… Fiquei ali por uns instantes rindo sozinho com minhas memórias. E me senti muito bem. Apesar de tudo que ele passou, de tudo que ele sofreu na vida, ele atingiu seus objetivos mesmo depois da morte e, onde quer que ele esteja, sei que deve estar feliz.

Fonte: Site da Banda Tantra http://tantra. art.br/2007/ 04/26/renato- russo

Enviado por Amanda Mendonça a Lista de discussões Filhos Da Revolução!!

JOSIANE SALUSTIANO - 11:31 AM

Algum recadinho?!







Nome: Josiane
Idade: 24
Niver: 30/01
Cidade: São Gonçalo
Ama:Legião Urbana,Fã Clube Filhos
Da Revolução, amigos,música,chocolate
Odeia:inveja, ciúme, falsidade,hipocrisia,
gente chata, egoísmo,

Amiga, Sincera, Impaciente,
Perfeccionista, Romântica,
Impulsiva, Fiel, Muleca,
Às vezes Madura,outras infantil...
...Imperfeita...
... Como qualquer um...

"Há grandes homens que
fazem com que todos se
sintam pequenos.
Mas o verdadeiro grande homem
é aquele que faz com que
todos se sintam grandes!!"
















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